• Marina Vaz

Bonificações: os petisquinhos das vendas

No ambiente de trabalho é quase uma convenção a comissão, um bônus financeiro ou um presente, caso o colaborador trabalhe bem. “Bata a meta X que você começará a ganhar próximo ao justo”. Para o mercado, o esquema de recompensa parece muito mais viável do que a adoção da confiança.

São chamadas de campanhas de bonificação, que mais parecem campanhas de adestramento. O atendente comercial, ou de qualquer outra função, ganha um percentual a mais no (baixo) salário, caso uma meta seja alcançada. A verdade é que o esquema de bonificação tem a ver com uma infantilização do ambiente de trabalho e uma extrema necessidade de controle - “Vamos dar um biscoitinho aqui para quem mandar bem”.


E nessa infantilização, o que a empresa consegue? Uma boa performance temporária, talvez, ou a certeza de que só tem entrega se tiver recompensa. Sem bônus, almoçam por 4 horas e fumam 27 cigarros? As campanhas de incentivo são, na verdade, uma busca incessante por um ambiente totalmente controlável e nunca baseado na confiança.


Além de não serem sustentáveis, as estratégias de premiação que apostam em “gincaninhas” e gamificação do trabalho pioram a performance no médio prazo. Afinal,o efeito que se tem é: “Darei meu melhor para ser premiado e, caso não seja, tocarei meu trabalho bem meia boca aqui”. Isso gera um claro condicionamento da força de trabalho. Não parece óbvio?


Outra problemática envolvida nesse esquema é uma constante atmosfera de competição que não é sadia. Todos trabalham para que a empresa cresça, ou seja, se uma pessoa performou bem, deveria ser uma vitória coletiva e não individual. Quando se destaca performances individuais alimenta-se o ego e não o coletivo.


Na Scooto, ficou claro, inclusive, que a remuneração passa longe de ser o grande motivador para se realizar um bom trabalho. É importante, sim, mas ter um ambiente de trabalho regido pela cooperação, pela troca, pela confiança, por propósito, leva a empresa muito mais longe do que bonificações.


O trabalho é a troca do tempo por dinheiro. O bom trabalho acontece quando esse tempo é entregue em um ambiente digno, respeitoso e de confiança. Tem que ser prazeroso, tem que fazer bem para o ego, tem que ter pessoas legais, tem que ter remuneração justa, sim, tem que ter propósito, tem que ter ócio, inclusive.


Do ponto de vista de líder de uma startup, as bonificações são, evidentemente, uma desculpa real para pagar menos as pessoas e não assumir riscos. “Se não venderem, eu não pago ou pago bem pouco”, é o que o mercado diz. No fim das contas, os funcionários trabalham por muito menos dinheiro.


E não é nisso que acredito. Acredito que o papel das empresas é garantir condições decentes e felizes para que aqueles que colaboram com o seu crescimento executem seu trabalho de maneira plena e interessada e, como consequência, alcancem SUA melhor performance INDIVIDUAL para termos uma vitória em âmbito coletivo.

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